fevereiro 22, 2012

 "Deem ao povo pão e circo”. Essa foi a frase dita na Roma Antiga, pelo Imperador Romano Vespasiano, quando da construção do Grande Coliseu, nunca foi tão atual.

À época, como hoje, o importante era manter o povo calado. Calado e contente com a esmola que recebia como forma de aplacar a revolta diante de um governo que se lixava para os romanos. Anfiteatros para peças e lutas de gladiadores eram construídos, o pão, o mísero pão era distribuído como um gesto de grande “generosidade” e “solidariedade” dos governantes.

Quase dois séculos depois o circo continua em voga. E o carnaval, que antes era uma manifestação cultural digamos, divertida, hoje se transformou em vitrine para cervejarias, celebridades, governos e  mídia. Tudo com a desculpa da alavancar o turismo além da famosa “geração de emprego e renda” para as cidades. Desculpem-me mas não acredito nesta balela. Gostaria até que provassem com números, a exata relação entre a folia desvairada das ruas e a economia. E o mais importante, colocando na contabilidade os prejuízos causados por acidentes de trânsito, violência urbana e alto consumo de drogas, bebidas e sexo sem proteção. Aliás, uma festa patrocinada pelo governo que pede aos convidados que usem camisinha é, no mínimo, risível.

Não se trata de purismo, moralismo ou quaisquer outros “ismos”. A realidade está aí bem diante dos nossos olhos. Não vê quem não quer. E o interessante é observar como as verbas públicas saem com facilidade dos cofres governamentais para bancar a folia. O mesmo não se dá quando a reivindicação é para saúde e educação. Para estes dois quesitos nunca há verba. Tudo é difícil. Nada é planejado.

Pra ficar por aqui, em nosso Estado, observe que a prefeitura de Corumbá dever estar com folga no orçamento. Além de patrocinar o carnaval da cidade, deu uma ajuda para Escola de Samba do Rio de Janeiro (cujo enredo homenageou a cidade sulmatogrossense) e ainda veiculou inserções diárias, e em horário nobre, na televisão. Será que a conta fecha? Será que o marketing intenso vai atrair mais turistas ou gerar mais empregos para a população? Tenho minhas dúvidas.

E a capital, Campo Grande? O que dizer desta bobagem que chamam de desfile de Escolas de Samba numa cidade sem tradição alguma de carnaval? A falta de criatividade é tamanh que até uma rede de TV foi homenageada. Fato com certeza inédito. E o circo montado para os foliões de rua? Um desastre que resultou em morte e muita confusão. Claro! O povão se enche de cerveja e acha que pode tudo em dias de folia. Inclusive matar. Esta conta não fecha.

Não quero dar uma de saudosista – até porque não sou deste tempo! – mas isto não é carnaval. Reunir algumas centenas e milhares de pessoas pulando em frente ao palco e se empanturrando de álcool não tem nada a ver com a festa propriamente dita. Isto é apenas uma desculpa pra farrear. Inclusive com dinheiro público. Mas como disse no início, os governos adoram esconder o jogo com pão e circo. É a forma mais eficiente – principalmente em países como o nosso – de enganar o povão e deixá-los mais felizes.Mas se em Roma a dupla alimentava e divertia, aqui o buraco é mais embaixo. Ao invés de pão, eles dão ao povo cachaça. E o circo, evidentemente. Me engana que eu gosto!

Circo e pinga. Cerveja e circo.  Educação não. Educação é prejudicial. Educar o povo é abrir seus olhos para a podridão que já causa vômitos nos que a compreendem, mas que, infelizmente, é minoria. Uma minoria esmagada por um exército de iletrados que continuam sorrindo com um copo de cerveja na mão, um circo de mau gosto e nenhuma visão. É lamentável.

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