outubro 13, 2012

 

 

 

 Eric Packer (Robert Pattinson) é um bilionário de 28 anos que vai de um lado a outro de Manhattan em sua limousine apenas para cortar seu cabelo. Fazendo o trajeto, ele aposta todo o seu dinheiro e mais contra a ascensão do iene ao mesmo tempo em que o mundo toma outro rumo rapidamente.

Em determinado momento, ainda em seu carro, Eric Packer recebe um médico para lhe fazer um check-up diário. Pessoas morrem todos os dias, principalmente nos fins de semana. Não há um dia em que não se precise de cuidado. O que o jovem bilionário recebe é uma notícia de mudança em toda a sua especulação, em toda a sua tendência: sua próstata é assimétrica. Isso não parece tão grande coisa, mas o que é grande coisa e o que é pequena coisa no universo criado por Don DeLillo? Não criado, já que a anarquia e o fim do capitalismo não é assunto tão fantasioso.

O trailer exibido nos cinemas nos vende Cosmópolis como o primeiro filme sobre o novo milênio. Cosmópolis é, sem sombra de dúvidas, uma obra contemporânea sobre o mundo globalizado. Mas não foi feito de forma global. Suas cenas são difíceis de serem acompanhadas, a atenção é difícil de ser captada e a linearidade do filme é complicada de se acompanhar, já que nenhuma cena anterior possui conexão com a sucessora. A obra literária, que já tinha recebido críticas negativas duras, se tornou uma adaptação complicada e seletiva. Cosmópolis não é um filme fácil, não é um filme comercial, não é um blockbuster. Cosmópolis é um filme que exige um espectador ativo na sala de cinema, não apenas um boneco de entretenimento. Qualquer diálogo perdido equivale a uma cena inteira jogada no lixo.

O tempo inteiro somos lembrados do poder do dinheiro. Eric está acima de muitas coisas. Ele está acima da religião, já que tem dinheiro para comprar uma capela. Ele está sobre a política, pois se dá o luxo de atravessar uma cidade fazendo descaso da visita presidencial. Presidente o mundo possui vários, faz questão de lembrar no início da sessão. Mas só há um topo numa pirâmide. A posição de Eric é esse topo. O tempo inteiro temos Eric sentado em sua limousine ouvindo seus amigos, seus súditos privilegiados. Sua figura é ilustrada o tempo inteiro por uma diferenciação no cenário. A cadeira em que ele senta lembra um trono. Sua calma exemplar é interpretada com muito primor por Robert Pattinson, que consegue se livrar por boa parte do filme de sua figura vampira adolescente. Do mesmo modo, a ferocidade e a epifania em seus trejeitos e olhares no desfecho se tornam um diferencial grande para o personagem.

O resto do elenco se divide bem, com ressalvas para alguns ótimos nomes que roubam a cena. Mas ninguém faz feio. Paul Giamatti é o que mais chama a atenção. Seu diálogo com Robert Pattinson é um dos melhores do filme e seus movimentos extremistas e violentos são o bastante para despertar qualquer público desacordado. Sarah Gadon faz um espelho do personagem de Pattinson, que funciona no longa metragem, mas é recebido mais com deboche e ingenuidade do que com frieza e calculismo. Alguns nomes do elenco levantam a cena com uma sincronia invejável: exemplo de Kevin Durand e Juliette Binoche.

A direção de Cronenberg lembra a violência que ele já trouxe em seus filmes antigos. Por mais que adaptado da obra de DeLillo, Cronenberg consegue imprimir sua marca na violência e na transformação de um ser humano. Semelhanças com Videodrome surgem em diversas partes. Os diálogos são a principal marca expressa em Cosmópolis, todos muito bem trabalhados, mas em sincronia com o tom monocórdico da fita, nunca há uma exaltação em partes essenciais. A atenção é muito especial. A trilha sonora composta por Howard Shore e pela banda canadense Metric também é fundamental para o bom funcionamento da fita.

Cosmópolis, em grego, significa a cidade do universo. Aqui, o universo acontece. O que vemos, na ótica dos poderosos, é um reflexo da sociedade atual, é um espelho do mundo contemporâneo. Podemos estar no meio de uma rebelião ou de um funeral, podemos ser o centro de um movimento anarquista, e sempre podemos fechar as janelas de nosso carro. Na necessidade da criação de uma tendência para a economia, para a violência, para a fama, para a arte, para a religião e para definição do passado e do futuro, o homem se esquece que existem coisas atuais que não evoluem para um certo padrão. Ainda existe a assimetria em Cosmópolis, ainda existe a surpresa e o imprevisto num mundo do controle de poder.

Elenco: Robert Pattinson, Sarah Gadon, Paul Giamatti, Juliette Binoche, Kevin Durand, Abdul Ayoola, Emily Hampshire, Samantha Morton, Mathieu Amalric, Jay Baruchel, Patricia McKenzie, Philip Nozuka, K’Naan

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