dezembro 10, 2009

Dizem que somos seres perfeitos e dispomos de tudo; absolutamente tudo o que precisamos está ao nosso alcance, pronto para o uso… só falta fazer.
Realizar nossa missão (todos temos uma), cumprir nossa única tarefa na teia da vida para que ela tenha valido a pena, mesmo que a contribuição tenha sido aparentemente silenciosa, humilde e bem longe dos holofotes, da aprovação alheia, da cobertura da mídia, é o mínimo que podemos fazer.

Contudo, se ainda precisamos discorrer sobre isto, é sinal que não estamos cumprindo com nossa tarefa; provavelmente estamos acomodados, cansados de tanto trabalhar, de tantas dificuldades nos assolando diariamente e exigindo um enorme dispêndio de energia, que acaba nos deixando apáticos, por vezes indiferentes e até totalmente adaptados com a situação. Sei bem como é fácil ao chegar em casa, cair na tentação de ligar a TV e desabar no sofá na esperança que a cada vez mais pobre programação das emissoras nos brinde com algo legal, positivo e que nos distraia a mente, nos permitindo relaxar e dar finalmente algumas boas risadas.

No entanto, se ainda nos encontramos assim, esperando que o dia termine o quanto antes, e que a noite -com seus raros sonhos-, nos permita uma fugaz escapada da realidade e da rotina, bem… algo precisa ser feito e o quanto antes.
Precisamos -quem sabe- resgatar a energia, a curiosidade e o deslumbramento daquela criança que fomos, feliz e incansável por suas descobertas, sua capacidade de achar um mundo novo em um simples objeto de pano, num animal doméstico, no céu noturno cheio de estrelas prateadas…

Quando foi que nos perdemos no caminho, nos afastando tanto assim da Fonte, da Origem, do Universo ao qual pertencemos de fato desde sempre?
Será que o mundo da ilusão conseguiu nos formatar num padrão distorcido, embotar nossa consciência, embaçando quase por completo nossa visão? Abafamos nosso poder bastando nos rendermos e aceitarmos por completo os valores materiais, o consumismo compulsivo e predominante, esquecendo de vez nossa linhagem divina…
Quanto tempo e energia desperdiçaremos ainda antes de retornar ao caminho correto?

Por que entregamos a outros, ardilosos e sombrios sugadores, a nossa energia divina!? Como e quando abrimos mão da essência e deixamos os valores perenes de lado, esquecidos?! É indispensável assumir novamente a autonomia e a integridade de nossas opiniões, criando coragem para sairmos de um círculo vicioso de controle e condicionamento externo, que nos esmaga e massifica.
Precisamos cerrar fileiras, manter os olhos bem abertos para evitar que as trapaças urdidas pelos manipuladores de plantão nos tirem a saúde, a paz e a nossa dignidade.
É urgente voltarmos a vibrar autoconfiança, auto-estima e, acima de tudo, amor incondicional, aquele que cura, resgata, volta para nós multiplicado e que se encontra por toda parte, abundante e sempre disponível a todos como a luz, o ar, a água…

É imprescindível reconhecer e resgatar a sublime energia da Unidade, ter atração pelas diferenças, enxergar muito além do físico, do palpável; navegar sem medo no grande mar do inconsciente, nele encontrando alento e respostas pertinentes às necessidades da Alma. Não há como esquecermos que a impermanência é a mais constante companheira de jornada, sugerindo-nos evitar o desperdício de tempo e energia com aspectos supérfluos e desnecessários da existência.

É preciso dar toda nossa contribuição criativa, empregando os recursos de que dispomos em nossa área de atuação, em nossa casa, à nossa volta, quer seja tarefa simples ou complexa, remunerada ou gratuita. Quanto antes descobrirmos nossas potencialidades, melhor será para todos.
Também é necessário libertar-nos de preconceitos e prejulgamentos adquiridos ao longo da caminhada que não estejam em sintonia com a verdade – muitas vezes herdados – ainda limitados em sua evolução, mantendo-nos abertos e atentos para idéias novas, bem como para experiências interiores inesquecíveis e transformadoras. A perene busca pelo autodesenvolvimento normalmente passa longe da aceitação de doutrinas e crenças, seguidas pela grande maioria, que ainda se encontra adormecida. Mas pode estar a um passo do despertar, quando tocada da forma correta e no momento certo.
O momento é agora.

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  1. fausto disse:

    Ta muito legal

  2. André Luís disse:

    Primoroso seu texto Theresa. Traz os ventos das grandes questões enfrentadas no Budismo. E a criatividade, ah a criatividade – ela a única que nos pode salvar. O momento é agora e o lugar aqui!
    Beijo grande,
    André

  3. Frederico Valente disse:

    Texto sincero e profundo. Quem consegue entender e colocar em prática, “não desocupa espaço quando se vai”

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