novembro 10, 2010

De: Zika <zikanoblog@gmail.com>
Data: 10 de novembro de 2010 10:04
Assunto: diário
Para: thilcar@gmail.com

Esta semana tirei para mudanças. Pra começar fiz este email novo, que é exclusivo para nosso diálogo.  Assim, se você não quiser reescrever o que falo, pode colocar do jeito que está. Imagino que não seja fácil ficar me editando. Aliás, desconfio que vc deva estar arrependida de ter começado toda essa história comigo porque, como bem sabemos, eu não sou lá muito fácil. Fico muito entusiasmada no início, mas depois vou me arrefecendo até desistir. Eu sei que vai me fazer bem falar, mas não gosto muito de ter esse compromisso com seu blog. Aliás, não gosto de compromisso de nenhuma forma.

Outra coisa que tenho pensado: seus leitores estão mesmo interessados neste “papo de aranha”, como se dizia na minha época. Afinal, o que tem de interessante na vida de uma mulher beirando os sessenta anos, viúva, com passado virtuoso e tortuoso, filha ausente e carente? Que ainda por cima anda indignada por ter que deixar de fazer as coisas que mais gosta: beber, fumar, comer chocolate (doces em geral), e fazer outras chatérrimas como: ginástica, exercício para memória, tomar um monte de remédios – prescritos pelo médico -, ser comedida em tudo, ver o corpo ruindo e não reclamar – principalmente na frente dos outros.

Gente, que vida mais chata é esta? Parece até que estou pagando todos os meus pecados (se é que foram pecados) da juventude e mais adiante. Então quer dizer que as coisas existem – diversão, comida, bebida, etc. – mas a gente não deve aproveitar nada. E se aproveita, tem que ficar ciente que na velhice (ah! Que palavrão) vem a fatura. Ou seja, mais um imposto a pagar. Como se não bastasse a velhice em si, a perda de vitalidade, da beleza, da saúde, ainda temos contas a pagar.

Sinceramente, não dá pra entender. Fico pensando na minha vovozinha, tão bonitinha, e não me lembro de vê-la reclamando da velhice. Acho que naquele tempo as mulheres não reclamavam de nada, né? Simplesmente aceitavam e pronto. No mais, aprendiam fazer crochê ou tricô, cuidavam dos netos, do marido, faziam doces, trança no cabelo, depois morriam. Não porque a gente também não podia ser simples assim.

Mas não, tinha que vir alguém e queimar sutiã, tirar a mulherada de casa e botar no mercado de trabalho. Ah! Essa liberação feminina! Será que ninguém pensou que a gente iria envelhecer e ficar sozinha? Que a aposentadoria não dá pra nada e que filhos não cuidam mais dos pais como antes? E eu era tão otimista. Diversas vezes me vi assim como aquelas velhinhas de filme americano, toda serelepe, instalada numa casinha de condomínio a beira-mar, com toda assistência médica, e ainda tomando drinques e fumando sem culpa nenhuma, indo às festas, recebendo visitas, tudo na maior animação.

Ao invés disto, decretaram minha incapacidade física, mental e emocional muito antes de ser chamada de velha – ou como dizem aquelas bobagens politicamente corretas: melhor idade! Melhor idade pra quem, cara pálida?

Tá vendo? Já estou reclamando. Além de tudo ainda faço o gênero ranzinza. Valha-me Deus! Mas prometo que na próxima vou falar sobre aquilo que combinamos.

Boa semana pra você. Ou devo dizer: pra vocês? Bom, acho que todo mundo entendeu.

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  1. Guilherme de Almeida disse:

    O termo de hoje é… "Tá SUSSA!" (sussegada*o) 😀 hehe.

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