Março 10, 2013

O amor é tudo que você precisa

Todo mundo sabe que um dos efeitos colaterais das expectativas é o imenso poder que ela tem de nos frustrar. Mas quando acontece o inverso, ou seja, quando você não espera nada e o que acontece é surpreendentemente bom, convenhamos é a glória. Isto acontece muito nos filmes. Vamos cheios de expectativas ao cinema e saímos de lá chateados – como já escrevi aqui sobre o filme “O lado bom da vida”. Mas deixemos de firulas e vamos logo ao que interessa. No caso o filme “O amor é tudo que você precisa” que fui assistir ontem no Cinépolis. Confesso que escolhi o filme levada pelo título (aliás, gosto de escolher livros e filmes pelo título)- e pelo protagonista, Pierce Brosnan – o famoso – e gato – ex-007.  E não se engane com este título, que pode soar como um clichê romântico.  Aliás, como sempre acontece no Brasil, ele nada tem a ver com o original: ”A cabeleireira careca”, que não é nada animador.

Todo este preâmbulo é para dizer que o filme é, no mínimo, digno de ser visto. Não é nenhuma obra prima – embora as paisagens de Sorrento, na Costa italiana, pareçam pinturas -, mas é emocionante e delicado. O olhar da diretora dinamarquesa, Susanne Bier (que ganhou Oscar de melhor filme estrangeiro em 2011 com o filme “Em um Mundo Melhor”) sobre as relações amorosas e familiares não tem nada de piegas. O filme tem um certo senso de praticidade, típico das produções europeias (a produção é feita em parceria com a Dinamarca, França, Itália, Suécia e Alemanha), com pitadas de humor e silêncios reveladores. Nem o figurino escapa desta visão pragmática. Os personagens repetem as roupas e as cores todo o tempo. Chega a incomodar o excesso de repetições e o uso constante de azul, talvez para combinar com a cor do oceano e dos olhos da maioria dos atores.

A história é centrada nos preparativos de um casamento na Itália. Mas o que acontece ao longo da trama faz com que isto se torne um mero detalhe, ainda que importante. A atriz Trine Dyrtholm, mãe da noiva, é uma cabeleireira que está enfrentando um câncer de mama e a recente traição do marido. O inglês, Pierce Brosnan é um próspero empresário do ramo de alimentos, viúvo e pai do noivo.  Deste encontro inusitado, em meio à diferença cultural, curiosamente brota a possibilidade de amor e alegria, mesmo em meio às vicissitudes e dramas da vida. Destaco aqui a química entre os dois atores que é realmente fantástica. Brosnan, que ultimamente vinha fazendo filminhos medíocres, nem de longe lembra o personagem de James Bond. O ator envelheceu muito bem e preserva todo o seu charme.

Embora, em alguns momentos do filme, o roteiro pareça óbvio e previsível, é bom não se deixar levar por esta impressão e aproveitar cada minuto do filme, com trilha e fotografia impecáveis.  “O amor é tudo que você precisa” me provocou uma emoção que há muito não sentia no cinema. Pode ser coisa da idade, não sei. Mas mesmo com um final que se insinua como provisório para todos os protagonistas, o magnífico pôr do sol na costa italiana e a descoberta, quase singela, do amor entre Pierce e Trine faz a gente lembrar a frase de Vinícius de Moraes que diz: “… que seja infinito enquanto dure”.  Um lencinho na bolsa pode ser providencial para os mais recatados.

Ficha técnica:

O amor é tudo que você precisa

Direção:  Susanne Bier

Elenco:  Pierce Brosnan, Trine Dyrholm, Molly Blixt Egelind

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  1. Ivana disse:

    Adorei a dica, vou segui-la

  2. Lindomar Cavalcante de L. Lima disse:

    Excelente perspectiva

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