Fevereiro 10, 2013

O filme americano em cartaz na cidade, O lado bom da vida, foi indicado a oito estatuetas do Oscar, inclusive de melhor filme. Não tenho a menor ideia do critério que a Academia usou para tantas indicações. Aliás, a Academia é uma instituição cheia de mistérios insolúveis. Não fosse pela atuação, sempre magistral de Roberto de Niro e de Jennifer Lawrence, eu não conseguiria assistir mais que 30 minutos de filme.  Resisti o quanto pude, mas saí da sala do cinema vinte minutos antes do final. Se me pedissem uma só frase para definir o filme eu diria: é uma completa banalização dos distúrbios psiquiátricos. Bem ao estilo Hollywoodiano de ser. Tudo pode ser resolvido com apenas um clic, ou – no filme em questão – um curso rápido de dança de salão.

O lado bom da vidaestá na categoria de comédia romântica. Em minha opinião, deveria ser uma comédia – de humor negro (nem sei se este termo ainda está em uso ou se virou politicamente incorreto). Enfim, embora não possa dizer que se trata de um daqueles blockbuster explícitos, confesso que fiquei aliviada por não ter gasto 16 reais com o ingresso. Minha amiga, gentil, pagou por ele.

Na trama, o bonitão Bradley Cooper (conhecido pelas comédias Se beber não case faz Pat, um ex-professor bipolar que tenta retomar o controle de sua vida depois de uma internação psiquiátrica. É com excesso de otimismo e apegado ao lema “Excelsior” (algo como “sempre pra cima”) que ele tenta se readequar à sociedade. Até que encontra Tiffany (Jennifer Lawrence), a mocinha igualmente complicada que passou a ter compulsão por sexo depois da morte do marido.   De Niro faz o pai do protagonista, e também tem um transtorno – TOC (transtorno obsessivo compulsivo).

Numa dessas resenhas do filme, fiquei sabendo que o ator se envolveu profundamente com esse trabalho. E chorou numa entrevista de TV ao comentar o fato de ter acompanhado a luta do diretor David O. Russell, que tem um filho bipolar de 18 anos. O garoto, Matthew, faz uma participação no filme. É o vizinho curioso que vive batendo à porta da família. Mais curioso é saber que o diretor convive de perto com a patologia e mesmo assim a tratou com tanta banalidade e até com tom de comédia.

O transtorno bipolar não tem nada de engraçado. Nada de lúdico. É um transtorno seríssimo que acomete de 1% a 3% da população, segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). No passado, era chamado de psicose maníaco-depressiva. É uma doença que precisa de diagnóstico correto e tratamento cuidadoso. Quem sofre dessa doença alterna momentos de depressão e episódios maníacos, quando o paciente apresenta uma sensação de grande energia. Pode permanecer acordado, agitado ou realizando tarefas durante muito tempo seguido, sem se cansar. Exatamente como no filme.

Não assisti ao final, como já mencionei antes. Mas, como já antevia, foi totalmente previsível. Banal, como todo o filme. Não sei se Robert de Niro merece a estatueta, simplesmente porque não consegui assistir a performance dos outros indicados. Mas De Niro é sempre De Niro. E se tivesse pagado o ingresso, valeria a pena só para vê-lo em ação. O resto, bem, o resto é coisa de Hollywood. Espero que o livro (o filme é baseado em livro homônimo) seja mais fiel à realidade. Mas não penso em comprar.

Deixe o seu comentário