Maio 24, 2010

João Carlos Martins, o maestro da felicidade

Famoso tanto por seu talento quanto por sua capacidade de superar adversidades, músico é um dos porta-vozes do movimento criado para pôr o direito de ser feliz na Constituição

 

maestro
João Carlos Martins: “É preciso fazer as coisas com alma, com emoção”

Fábio Góis

João Carlos Martins ganhou projeção pública muito novo. Aos 20 anos, seu talento como pianista o levou a se apresentar em uma das mais importantes salas de espetáculo do mundo, o Carnegie Hall, em Nova York. Hoje, com 69 anos, sua vocação para a música é tão reconhecida quanto sua determinação para superar as adversidades.

Impedido de tocar piano por sucessivos acidentes e problemas de saúde, tornou-se maestro, condição em que voltou a ser consagrado no Carnegie Hall. Sua história, que ganhou o mundo por meio de um documentário franco-alemão bastante premiado (A paixão de Martins), foi escolhida para o depoimento final da telenovela Viver a vida, da TV Globo  o depoimento que foi ao ar no último dia 14).

Agora, o incansável maestro, que por deficiência nas mãos é obrigado a reger sem usar batuta, é um dos principais porta-vozes do movimento + Feliz, criado para estabelecer como dever do Estado brasileiro, previsto na Constituição, a busca da felicidade para os cidadãos .

“Seria uma grande conquista se o Brasil conseguisse incluir na Constituição o direito não só de ser feliz, mas de dar felicidade”, afirma ele, enfatizando que só a conscientização dos brasileiros poderá levar a proposta a prosperar. A ideia, já adotada por países como Estados Unidos e França, tem como objetivos reforçar juridicamente a garantia de direitos humanos ainda não plenamente respeitados no país e mobilizar a sociedade em torno da defesa de tais direitos, especialmente na área social.

 

Felicidade, a mãe de todos os direitos

Entidades, artistas e personalidades públicas se unem para pôr o direito de ser feliz na Constituição, como já fizeram Estados Unidos, França, Japão e outros países

 

Divulgação
Sócrates é um dos brasileiros engajados na campanha para botar o direito à felicidade na Constituição

Rodolfo Torres e Fábio Góis

Que cada um, individualmente, busca a felicidade, quanto a isso não há dúvidas. Mas assegurar o direito de ser feliz não poderia ser o objetivo de uma nação inteira?

Para um número crescente de entidades, artistas, intelectuais e outras personalidades, a resposta é sim. Baseados na experiência de outros países, tais instituições e pessoas querem incluir na Constituição Federal esse direito, possibilitando reforçar as obrigações do Estado em áreas como a garantia de saúde, educação e proteção social.

O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) encampou a ideia, e tenta no momento reunir as 27 assinaturas necessárias para apresentar uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que dará a seguinte redação ao artigo 6º da Carta:
 
“Art. 6º. São direitos sociais, essenciais à busca da felicidade, a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.”

Cristovam também colocará o tema em debate em audiência pública que a Comissão de Direitos Humanos do Senado – presidida por ele – realizará no próximo dia 26. “A busca à felicidade engloba todos os outros direitos humanos previstos na Constituição”, explica Cristovam.

“A cara do brasileiro”

O ex-jogador Sócrates, craque do Corinthians e das seleções brasileiras de 1982 e 1986, é outro que aderiu ao movimento. Sua opinião sobre o movimento + Feliz: “É a cara do brasileiro, talvez a nossa commodity mais importante seja a felicidade”. 

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