junho 17, 2010

Ao invés de ficar calado, o presidente do Senado ainda incorre no erro de tentar desqualificar a greve de fome do militante petista Manoel da Conceição, com uma história no mínimo constrangedora – para o senador, claro! Veja a explicação de sua excelência. É de doer!

Contra greve de fome, Sarney cobra perna mecânica 

Matéria publicada no Congresso em Foco

Rudolfo Lago

Como reação á greve de fome contra a decisão do PT de apoiar a reeleição da governadora, Roseana Sarney (PMDB), o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), resolveu recorrer a um episódio ocorrido há 42 anos para constranger o militante petista Manoel da Conceição. Líder camponês na década de 60, Manoel da Conceição perdeu uma perna como consequência de tiros que levou em um confronto em Pindaremirim, cidade maranhense, em 1968. A Secretaria de Imprensa do Senado foi atrás de uma antiga entrevista de Manoel da Conceição, em 1976, em que o militante atribui a Sarney a ajuda para que fosse salvo e tratado da perna.

Na entrevista enviada pela secretaria de imprensa, Manoel da Conceição diz que, preso após o conflito, sua perna era tratada apenas com "mertiolate". Acabou por gangrenar. "A reação foi grande, o então governador José Sarney mandou um avião me buscar no interior e pagou meu tratamento em São Luís. Foi aí que coloquei esta perna mecânica", diz o militante na entrevista.

Procurado pelo Congresso em Foco durante sua greve de fome, Manoel da Conceição negou que as coisas tenham acontecido da forma como está narrada na entrevista divulgada pela Secretaria de Imprensa do Senado. “Quando ele autorizou a polícia do estado a atacar a nossa reunião, onde eu fui baleado, ele foi para o Japão. O avião que me levou a São Luís foi pago pela Igreja, na pessoa do padre Eider", diz o militante petista. "O que ele fez foi, quando chegou, para dizer que era bonzinho, mandou buscar minha família. Minha mulher estava no Piauí. E levá-los para São Luís para cuidar de mim. Quando eu estava no hospital, ele mandou me chamar para conversar com o secretariado dele para me propor dar uma perna mecânica; um salário para eu poder viver; um carro para fazer viagem ao interior, com motorista, de suas viagens políticas; e prometeu emprego para a minha mulher. Eu disse a ele que eu não queria emprego dele, nem a perna, porque eu pertencia a uma classe trabalhadora. E eu estava lutando a favor dela. E ela podia me dar a perna, não o Sarney", disse Manoel da Conceição.

Abaixo, a íntegra da carta enviada pela Secretaria de Imprensa do Senado ao Congresso em Foco: 

"A respeito da matéria 'Se o PT não voltar atrás, vamos à Justiça', publicada hoje em O Globo e reproduzida pelo Congresso em Foco,  gostaria de fazer uma retificação fundamental em versão fantasiosa de fatos históricos, devidamente registrados. Em entrevista publicada em 12 de março de 1976 pelo jornal O Estado de S. Paulo, antes de partir para o exílio na Suíça, Manoel da Conceição relata os ferimentos que sofreu em Pindaremirim, no ano de 1968, e quem o socorreu e, na prática, salvou sua vida: 'Em julho de 1968, nós chamamos um médico para tentar fazer a erradicação da malária junto aos lavradores. Acho que o prefeito (de Pindaremirim, acrescento) não queria que o Sindicato desse essa assistência, porque ele podia perder votos. E então mandou a polícia municipal invadir a casinha onde o médico dava consultas. Fui preso novamente, desta vez ferido na perna direita com cinco balas. Depois de seis dias de prisão, como só passavam mertiolate na minha perna, deu gangrena. A reação foi grande, o então governador José Sarney mandou um avião me buscar no interior e pagou meu tratamento em São Luís. Foi aí que coloquei esta perna mecânica'.

Francisco Mendonça Filho
Secretário de Imprensa da Presidência do Senado Federal
Brasília, 16 de junho de 2010"

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