Maio 31, 2010

Sex and City 2 – em cartaz

Amigas na alegria e nas adversidades

Quando subiram os créditos do filme pensei: definitivamente Sex and the City é minha série favorita. E, claro, não poderia ser diferente com o novo filme das quatro amigas mais descoladas de Nova Iorque que é simplesmente divertido! E tão gostoso de assistir que eu não queria que acabasse nunca – e olha que são duas horas e pouco de filme.

Muitos podem até questionar o que há de tão especial num filme filme – ou numa série de TV – que, aparentemente pode ser, digamos, frívolo ou fútil. Isso porque trata de quatro mulheres lindas, bem resolvidas, chiques e que adoram comprar sapatos e roupas de grife! Contudo, não se enganem: Sex and City é muito mais que uma ode ao consumo e ao sexo, mas é sobretudo uma reverência à amizade. Que, aliás, me mata de inveja! Afinal quem não gostaria de ter amigas como Samantha, Carrie, Miranda e Charllote sempre por perto e prontas para o que der e vier? Elas são a exata tradução da solidariedade, cumplicidade, do afeto sincero entre pessoas de personalidade tão diversas. E o mais importante é que, ao invés das diferenças gerarem conflitos (como geralmente acontece) elas são o fator que as enriquece mutuamente e as mantém unidas.

Engraçado (pra não dizer triste) é que só foi descobrir a história de Carrie quando a série já estava quase no final. Levei anos para tomar coragem, romper preconceitos e ouvir meu amigo, Henrique, que me dizia o quanto eram descoladas as quatro garotas de Nova Iorque. E foi durante um processo doloroso, uma fase muito ruim, que eu liguei a TV para assistir Sex and the City e nunca mais fui a mesma. Sério! Tanto que até hoje, cinco anos depois, sempre que me estou pra baixo, meio triste, basta colocar um dos episódios, para conseguir sorrir novamente. E nem preciso dizer que comprei a série completa em DVD. É meu kit sobrevivência.

E foi com esse espírito, e um bocado de excitação, que entrei no cinema para assistir a continuação do filme: Sex and the City 2.

Tudo bem, eu confesso: quando vejo as quatro amigas tenho vontade louca de fazer parte daquilo tudo. É como se eu me transportasse para outro mundo, um universo onde nada é impossível para quem tem amigas com quem se pode contar 24 horas do dia. Sex and the City é, portanto, meu sonho de consumo. Afinal quem disse que não podemos sonhar? Desde quando os sonhos ficaram proibidos?

Vivemos um pesadelo diário. Somos obrigadas a aceitar uma porção de regras que nem acreditamos, temos que nos calar sobre um monte de assuntos considerados tabus, escondemos nossa sexualidade por décadas e uma das coisas mais difíceis (principalmente depois dos 40 anos) é ter um ombro amigo para desabafar, ou apenas para trocar figurinhas. Se isso é futilidade, então que seja bem vinda! Até porque não dá pra viver só de Tolstoi, Shakespeare ou Freud. A vida espiritual é importante sim, fundamental eu diria. Mas quem disse que Gandhi, Buda ou Jesus não podiam se divertir com coisas consideradas menores? Onde está escrito que não podemos rir dos nossos problemas? Sim, porque é exatamente isso que aquelas quatro mulheres fazem: elas se divertem com a vida. Claro que a diversão fica melhor em Nova Iorque, nos apartamentos fantásticos, viagens deslumbrantes, restaurantes chiquérrimos e muitos Jimmy Choo’s e Valentino’s no closet. Ah! Tudo isso e mais o Mr. Big!!!

Mas querem saber? Não temos o cenário ideal (infelizmente nem homens como Mr. Big), mas temos a capacidade de superação muito aguçada. Todos os dias matamos um leão neste País das desigualdades. E ainda nos cobram a perfeição em tudo: como profissionais, mães, mulheres, esposas, filhas, noras, sogras, amigas… Ufa! Como é cansativo ser mulher por aqui.

Ainda sobre o filme, tem uma passagem interessante nos Emirados Árabes, quando Miranda descobre que o véu que cobre os rostos e a boca das mulheres, é o mesmo que a sociedade ocidental nos coloca quando não querem ouvir o que temos a dizer.

Pois é, as meninas além de fantásticas, também pensam e bem.

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  1. Ana Maria Arinos da Silva El Daher disse:

     Texto perfeito !!!!! Retrata fielmente a amlzade das quatro , a irreverência , o chic , e principalmente a capacidade de superação das quatro de qqseja no amor , frustação , perdas. E a  sensiblidade , a delicadeza, o apoio de uma para com as outras quando se faz necessário. Eu tb as invejo , mas amizade não é somente uma via de mão única , é preciso vir e ir , é preciso dar e receber e principalmente ,a delicadeza de mostrar esse carinho , essa amizade de mão dupla !!!!!! Beijos

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