março 22, 2012

Se estivermos atentos, podemos notar que está aparecendo uma nova
franja social: a das pessoas que andam à volta dos sessenta anos de
idade, os sexalescentes: é a geração que rejeita a palavra
"sexagenário", porque simplesmente não está nos seus planos deixar-se
envelhecer.

Trata-se de uma verdadeira novidade demográfica – parecida com a que,
em meados do século XX, se deu com a consciência da idade da
adolescência, que deu identidade a uma massa de jovens oprimidos em
corpos desenvolvidos, que até então não sabiam onde meter-se nem como
vestir-se.

Este novo grupo humano, que hoje ronda os sessenta, teve uma vida
razoavelmente satisfatória.

São homens e mulheres independentes que trabalham há muitos anos e que
conseguiram mudar o significado tétrico que tantos autores deram
durante décadas ao conceito de trabalho. Que procuraram e encontraram,
há muito, a atividade de que mais gostavam e que com ela ganharam a
vida.

Talvez seja por isso que se sentem realizados… Alguns nem sonham em
aposentar-se.

E os que já se aposentaram, gozam plenamente cada dia, sem medo do
ócio ou da solidão, crescem por dentro, quer num, quer na outra.
Desfrutam a situação, porque, depois de anos de trabalho, criação dos
filhos, preocupações, fracassos e sucessos, sabem bem olhar para o
mar, sem pensar em mais nada, ou seguir o voo de um pássaro da janela
de um 5.º
andar…

Neste universo de pessoas saudáveis, curiosas e ativas, a mulher tem
um papel destacado. Traz décadas de experiência de fazer a sua
vontade, quando as suas mães só podiam obedecer, e de ocupar lugares
na sociedade que as suas mães nem tinham sonhado ocupar.

Esta mulher sexalescente sobreviveu à bebedeira de poder que lhe deu o
feminismo dos anos 60. Naqueles momentos da sua juventude, em que eram
tantas as mudanças, parou e refletiu sobre o que, na realidade,
queria.

Algumas optaram por viver sozinhas, outras fizeram carreiras que
sempre tinham sido exclusivamente para homens, outras escolheram ter
filhos, outras não, foram jornalistas, atletas, juízas, médicas,
diplomatas …
Mas cada uma fez o que quis: reconheçamos que não foi fácil, e, no
entanto, continuam a fazê-lo todos os dias.

Algumas coisas podem dar-se por adquiridas.

Por exemplo, não são pessoas que estejam paradas no tempo: a geração
dos "sessenta", homens e mulheres, lida com o computador como se o
tivesse feito toda a vida. Escrevem aos filhos que estão longe (e
vêem-se), e até
se esquecem do velho telefone para contactar os amigos – mandam
e-mails com suas notícias, ideias e vivências.

De uma maneira geral, estão satisfeitos com o seu estado civil e,
quando não estão, não se conformam e procuram mudá-lo. Raramente se
desfazem em prantos sentimentais.

Ao contrário dos jovens, os sexalescentes conhecem e pesam todos os riscos.
Ninguém se põe a chorar quando perde: apenas reflete, toma nota, e
parte para outra …

Os maiores partilham a devoção pela juventude e as suas formas
superlativas, quase insolentes de beleza; mas não se sentem em
retirada. Competem de outra forma, cultivam o seu próprio estilo …
Os homens não invejam a aparência das jovens estrelas do desporto, ou
dos que ostentam um Armani, nem as mulheres sonham em ter as formas
perfeitas de um modelo. Em vez disso, conhecem a importância de um
olhar cúmplice, de uma frase inteligente ou de um sorriso iluminado
pela experiência.

Hoje, as pessoas na década dos sessenta estreiam uma idade que não tem
nome. Antes seriam velhos, e agora já não o são. Hoje têm boa saúde,
física e mental, recordam a juventude, mas sem nostalgias, porque a
juventude ela própria também está cheia de nostalgias e de problemas.

Celebram o sol em cada manhã e sorriem para si próprios…

Talvez por alguma secreta razão, que só sabem e saberão os que chegam
aos 60 no século XXI …

(Autor desconhecido – infelizmente.)

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