julho 22, 2011

 

 Tenho enorme curiosidade em saber qual a população de deficientes visuais de Campo Grande. Deve ser imensa, a julgar pelos quilômetros e quilômetros de piso tátil instalados na cidade. Imagino que qualquer pessoa que visite a capital pela primeira vez, deve se perguntar a mesma coisa. Mas o que me intriga mesmo é o fato de que, desde o meu retorno de Brasília, há cerca de dez meses, nunca encontrei nenhum deficiente visual na rua.

E digo isto baseado na minha condição de pedestre militante. De quem percorre a cidade, principalmente centro, Jardim dos Estados e São Francisco, todos os dias a pé. Ando muito mesmo. Vou a supermercado, visito pessoas, vou ao banco, faço tudo, enfim, andando. Eles devem ser poucos, mas bem articulados.

Evidentemente acho louvável e correto construir pisos que facilitem a vida dos que não enxergam, mas quando caminho pelas calçadas e atravesso ruas num trânsito que privilegia automóvel eu me pergunto: mas e o resto? E os cadeirantes, os idosos, as pessoas que não podem ou não querem ter carros e são obrigadas a caminhar pelas ruas repleta de buracos e ainda convivem com o desrespeito dos que se julgam no direito de “voar” pelo asfalto ignorando os pedestres?

Sabemos que quem decide os destinos do cidadão em sua maioria são pessoas que não costumam andar a pé. Portanto não fazem a menor idéia dos percalços que passamos ao caminhar pelas ruas da cidade. Será que eles gostariam de passar pela experiência de andar numa cidade sem segurança? Será que eles imaginam o sufoco que é atravessar uma rua ou avenida, quase sempre sem sinal (seguro) para pedestres?

Andar a pé em Campo Grande é uma aventura. Pra não dizer um risco. Então por que só os deficientes visuais ganham faixas exclusivas? E mais: será que eles andam somente nas calçadas? Será que eles voam até o outro lado da rua? Prestem atenção no final das calçadas, quase sempre há um bueiro em estado duvidoso ou um buraco, ou ainda calçadas com degraus enormes.

Que as autoridades construam (com dinheiro do contribuinte) pisos táteis, mas que também adotem políticas de trânsito eficientes e procurem resolver o problema dos pedestres em geral. Os acidentes e atropelamentos estão aí pra não deixar dúvidas da ineficiência do nosso trânsito.

Sei que boas ações começam aos poucos, vão se desenvolvendo, mas se a gente não cobrar fica tudo como está. Com certeza os pisos táteis foram reivindicados por gente que sofre na pele as incertezas de caminhar.

Nós também temos este direito. 

 

Deixe o seu comentário

Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com