agosto 25, 2012

Um Divã para Dois Um Divã para Dois (Hope Springs, 2012) Direção de David Frankel. Roteiro de Vanessa Taylor

Depois de assistir ao filme "Um divã para dois", um pensamento passou logo pela minha cabeça: pela primeira vez vejo um ator (Tomy Lee Jones) – quase – roubar a cena da fantástica Meryl Streep. E digo quase porque, como todos sabem, além de ser atriz soberta, Meryl também e generosa em cena. E o casal tem um timing perfeito. A historia poderia ser banal – na verdade é, e aí que está a beleza do filme – mas a atuação dos personagens, inclusive de Steve Carell no papel de psiquiatra contido, faz toda a diferença.

Num mundo cinematográfico cheio de vampiros, super-homens e outras bobagens, 'Um divã para dois" é mais que bemvindo (principalmente nos cinemas de Campo Grande, onde, não me canso de repetir, só passam bombas).. Dizem que o filme não é para jovens ou adolescentes, mas para pessoas da faixa de 40 anos em diante, que irão se identificar e apoiar esta história de amor e sexo durante a maturidade. Não me lembro de outro filme que trate tão abertamente a questão, com bom humor (não se pode dizer que seja uma comédia rasgada mas é muito divertida), embora o distribuidor tenha se esforçado para atingir maior audiência fazendo um trailer que no fundo esconde a temática e no Brasil colocando um título que parece nome de peça que passa no Teatro Ruth Escobar, ou seja, aquelas comédias de quinta categoria. Dois no Divã dá a ideia que é um filme sobre psiquiatria ou análise freudiana. Não há divã e os personagens fazem uma forma de consulta de casais, procurando resolver o problema que por acaso é sexual (esse é o personagem de Steve Carell, que aceitou ser o observador, que nem tem vida particular. Apenas vai levantando questões e dúvidas, no que é até didático (e eu acho isso bom, já que há tanta gente que necessita ao menos discutir o assunto e irá imitar Lee Jones na aversão muito masculina de mexer em feridas que podem simplesmente ser escondidas ou postas de lado).

Embora dirigido por Frankel, de Sex and the City e O Diabo Veste Prada, a verdadeira criadora do projeto é uma roteirista e produtora vinda da TV, Vanessa Taylor (que tem no currículo Game of Thrones, Tell me that you Love me, Everwood, Alias, Cupid). Este é seu primeiro screenplay, ou seja, para cinema. Sorte dela ter encontrado um elenco tão formidável (há ainda aparições rápidas de nomes conhecidos com Elisabeth Shue como garçonete ou Mimi Rogers como vizinha). Sem medo de aparentar idade, Um Divã para Dois é é divertido, tem trilha sonora deliciosa (que alguns críticos avaliaram como "trilha de FM", mas eu não estou nem aí, porque adorei!) e é muito bem-vindo. Principalmente porque, passada a sessão de terapia, acaba desmistificando algumas coisas mais corriqueiras do sexo, de que outras comédias românticas sequer se aproximam. No mais, não é difícil prever que o nome de Meryl estará nas apostas do Oscar, mais uma vez. Quem pode surpreender, porém, é Tommy Lee Jones. O ator encontra o tom perfeito do seu personagem – um tipo do Centrão dos EUA que evita falar muito porque isso lhe parece uma invasão de privacidade – e inclusive ajuda Um Divã para Dois a escapar das várias fórmulas de dramalhão que o filme vai armando pra si. Um Oscar para ele (seria o primeiro como protagonista) não soa mal. Enquanto Cinquenta Tons de Cinza tenta convencer leitoras de que toda mulher tem dentro de si uma perversa-polimorfa como a Charlize Theron de Celebridade, o filme Um Divã para Dois (Hope Springs) trata das fantasias femininas do jeito que Hollywood melhor sabe: colocando Meryl Streep no papel de Mulher do Desejo Reprimido. E Tomy Lee Jones disposto a se reinventar. Quer melhor?

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