Janeiro 30, 2013

Quando convido as pessoas para conhecer meu novo trabalho – a massagem terapêutica com pedras quentes, sempre ouço as mesmas perguntas: mas onde você aprendeu a fazer massagem? Por que você resolveu virar massagista? Alguns amigos, surpresos – ou incrédulos, me dizem: você é uma caixinha de surpresas! Mas para quem acompanha minha jornada, fora do jornalismo e da literatura, a reação é de cumplicidade e alegria.

Há 25 anos venho fazendo minha caminhada que pode ser chamada espiritualista, esotérica (palavra meio fora de moda), mas que prefiro dizer apenas que é a busca por uma vida mais saudável – física e mental. Comecei pela alimentação com a macrobiótica, passei para o naturalismo e desde então estou na categoria do “ovo lacto vegetarianos”. Não como carne – nem derivados -, dou preferência a alimentos orgânicos, mas não resisto a um ovo caipira, nem a uma coalhada caseira. Quando comecei a me interessar pelo assunto, lembro-me que meu ex-marido, na época, foi logo tentando me desencorajar: isto vai passar! Não passou.

Nesta mesma época comecei a me interessar por terapias alternativas. Homeopatia (que curou uma otite crônica do meu filho mais novo), acupuntura, shiatsu e os chamados grupos de crescimento e trabalho corporal. Eram os anos 90 e o guru indiano Osho (ou Rajneesh, como era chamado) estava na crista da onda. Mergulhei de cabeça nos ensinamentos e participei de dezenas de whorshops, finais de semana inteiros de trabalho duro e meditações dinâmicas. Foi quando soube que a vida que eu conhecia era apenas uma ilusão. Continuei buscando.

O desejo de descobrir os caminhos de uma vida mais plena me levou a mais e mais vivências terapêuticas. No Brasil. EUA, Peru e, mais recentemente, na Índia. O lugar onde a cada esquina se encontra um iluminado e as pessoas praticam – de fato – a humildade de ser – revirou minha cabeça e meu estômago. A comida picante exacerba os sentidos e o ambiente revoluciona todos os nossos pré-conceitos. Na Índia soube o que era o Divino. O Sagrado que existe em todos nós.

Há mais ou menos quatro anos, numa linda e encantadora cidade da Califórnia, comprei um kit de pedras para massagem. E descobri uma escola onde se ensinava todo tipo de prática. Professores e alunos do mundo inteiro passavam por lá. Em minhas três visitas ao Estado, frequentei o local. Massagem sempre foi minha paixão. Em Brasília, minha amiga Taruno – expert em Ayurvédica me ensinou algumas técnicas da prática indiana de massagem. Até então era puro deleite. Massagem pra mim era – e continua sendo – um item de sobrevivência.  Deveria constar nos tratamentos do SUS. É uma obrigação com o nosso corpo, tão maltratado pelas vicissitudes do cotidiano e da vida como um todo.

No dia 31 de dezembro de 2012, lá estava eu, como outros milhares de brasileiros, na fila da loteria. O sonho de ganhar na Mega Sena me livraria da penúria dos empregos temporários, dos frilas como jornalista, das dificuldades da profissão num cidade de poucas opções e mercado restrito. Sem falar que a preferência é sempre dos mais novos.

 Em meio aos sonhadores na fila da lotérica, iniciei uma conversa com um homem que mudou meu rumo. Ele me contou que era massoterapeuta, tinha feito um curso no SENAC e vivia razoavelmente bem praticando sua técnica, atendendo a domicílio. Contei-lhe da minha paixão por massagem e do meu kit de pedras quentes. E você não pratica tudo que aprendeu? – perguntou-me. Não, respondi meio sem graça. Ali mesmo, sob o sol escaldante de uma tarde pré revéilhon, entendi que não precisava do prêmio da Mega Sena. Que a solução dos meus problemas financeiros poderia estar, literalmente, em minhas mãos.

E foi assim, simples e claro, que resolvi colocar em prática os anos e anos de busca, experiência, aprendizado. Com a ajuda do meu anjo da guarda, a massoterapeuta Daicy, comecei a prática de fato. Ela me ensinou tudo sobre o trabalho, os detalhes do atendimento, e ainda descobriu que minha massagem pode ser ainda melhor – e mais poderosa – por um pequeno detalhe: meu treinamento em Deeksha, feito na Índia, que consiste na cura pelas mãos. Ninguém mais tem esta prática aqui, me disse. Com as pedras, a Deeksha, a técnica, um espaço adequado no meu apartamento e o material necessário, estou vivenciando um novo caminho.

Recrutei amigas como “cobaias” – algumas, talvez por não levar a sério esta história, não vieram – Mas todas as que passaram por aqui também me ensinaram alguma coisa. Um toque na decoração, no movimento, nos pequenos detalhes que fazem diferença. A partir desta semana abro minha casa e meu espaço cuidadosamente preparado e equipado. Vou receber amigos, conhecidos, clientes com o coração e as mãos abertas, prontas para doar e curar. A massagem com pedras é profunda, silenciosa e relaxante. Para mim é um exercício de entrega, humildade e amor. Que rolem então as pedras, macias, solenes, quentes e repleta de boas energias. Tem coisa melhor?

 

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