janeiro 2, 2011

Artigo da jornalista Eliane Cantanhêde, como sempre, é um primor de objetividade e informação. À propósito, estou organizando lançamento do livro da jornalista (biografia de José Alencar) em Campo Grande no dia 11 de fevereiro.

 DEU NA FOLHA DE S. PAULO

 

Sai Lula, entra Dilma. Vai-se o mito, chega a presidente mulher, com a responsabilidade de aumentar investimentos, priorizar educação, saúde e segurança, enfrentar as reformas estruturais, garantir a exploração e partilha adequadas do pré-sal, correr contra o tempo para o sucesso da Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016. E erradicar a miséria.

Difícil será preencher o vazio de um presidente carismático, palanqueiro e sem limites como Lula, amado dentro e fora do país pelas qualidades e pelos defeitos. Se é que ele vai desencarnar da Presidência.

Dilma é dura, aplicada, determinada. Como ministra, extrapolava com subordinados e com os próprios colegas. Como presidente, esse traço de personalidade estará exacerbado e sendo permanentemente testado, inclusive com o eclético leque de "aliados".

Mas Dilma encontra um país estável política e economicamente, os brasileiros com a autoestima em alta, o mundo maravilhado com esse Brasil cheio de encantos mil.

As condições são francamente favoráveis, e suas características femininas e de militante ajudam. Lula não é de esquerda nem de direita, Dilma tem ideologia. Será capaz de queimar pontos de popularidade se a circunstância exigir. Tem rumo, direção, metas, compromisso.

Vai precisar se suplantar, como se suplantou na campanha, para se equilibrar diante de PT, PMDB, PSB, PCdoB, Sarneys, o vice Temer, os áulicos. Que Erenice Guerra tenha servido de lição. Antes na Casa Civil do que agora na Presidência.

O Brasil elegeu Dilma e lhe dá não apenas um voto de confiança, mas também o estímulo, a torcida e a esperança. O sucesso dela será o sucesso de todos e do futuro.

Itamar, Fernando Henrique e Lula garantiram um círculo virtuoso, e Dilma deve ser uma presidente honesta, sensata, coerente, com grandeza e princípios, para ir além. É só não arriscar tudo para tentar ser o que não será: um mito.  

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